Moradores afetados por enchentes em Porto Alegre protestam contra a prefeitura
Dois meses após enchentes, comunidades como Sarandi e Guarujá ainda lutam por normalidade
Moradores de Porto Alegre pedem medidas para as autoridades
A cidade de Porto Alegre continua a enfrentar as dolorosas consequências das recentes cheias que assolaram o Rio Grande do Sul. Moradores de bairros como Sarandi e Guarujá estão mobilizados, exigindo respostas rápidas das autoridades municipais e estaduais para a reconstrução de suas vidas.
No último fim de semana, manifestações reuniram centenas de pessoas indignadas com a demora na assistência. No Sarandi, zona norte da capital, a comunidade expressou sua frustração com o atraso na remoção de entulhos, conserto de escolas danificadas e preocupação constante com um dique rompido. Joselaine Modesto, moradora local, compartilhou suas angústias: “Desde 2013, vivemos sob a ameaça das enchentes, e parece que nossos apelos são ignorados pelas autoridades. As crianças estão sem escola, e o medo de novas chuvas é constante”.
Arlidiaria Antunes, outra residente de Sarandi, descreveu o impacto devastador nas crianças da comunidade: “Parece que jogaram uma bomba. Não há mais a alegria das crianças brincando e estudando”. Ela pediu atenção especial para as escolas afetadas, criticando as soluções temporárias oferecidas.
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No bairro Guarujá, na zona sul, a situação não é menos grave. Moradores protestaram contra a falta de assistência e pediram medidas urgentes para conter os novos alagamentos provocados pelo Guaíba. Fernanda Longuave Vasconcellos, uma das líderes do movimento, destacou a necessidade de suporte para reconstruir as casas e recuperar a vida normal: “Estamos esquecidos aqui. Precisamos de ajuda com alimentos, água, móveis. Muitos perderam seus empregos e estão pagando aluguel do próprio bolso”.
As críticas se estendem ao prefeito Sebastião Melo e ao governador Eduardo Leite, acusados de negligenciar as áreas mais afetadas. Fabiano Zalazar, do Sindicato dos Servidores da Justiça, ressaltou a solidariedade entre os manifestantes: “Essa tragédia tem nome e sobrenome. Não podemos deixar que seja esquecida”.
Enquanto isso, Alexandre Nunes, do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, alertou para a desigualdade na distribuição de recursos: “Enquanto o grande empresariado pede bilhões, os mais pobres ficam desassistidos. Precisamos de mobilização para garantir nossa parte”.
Imagem destaque: Carlos Messalla